Calejados caminham meus pés
por entre o solo seco do desamparo
pisando nas raízes mortas
e nas pedras rígidas.
No escuro campo ando vulgarmente
avistando tempestades que se formam ao longe
o céu em tons de roxo se prepara para derramar
nas gramas secas as gotas de salvamento.
Mas a tormenta nunca vem
ela grita seus estrondos
arremessa suas luzes
conta o prenúncio implacável.
E então vai embora
deixa a terra árida ao relento
esquece de regas os pés, que
parados, já não conseguem andar
Abaixo meu olhar
espasmos percorrem meu corpo
soluços de lamúria se projetam em meus lábios
fecho minhas pálpebras...
nenhuma gota há para aquele solo.
Shadow of Andromeda
Light of Orion, Shadow of Andromeda, call of the dancing Universe.
sábado, 19 de outubro de 2019
domingo, 8 de setembro de 2019
tão logo se pôs a pensar
ela decidiu que nada podia a machucar
bem mais do que ela poderia lidar
e de repente, de súbito, num movimento mais leve que o ar
uniu as mãos e se pôs a rezar
ergueu os olhos para o céu estrelado das duas da manhã
e com graça, sem trapaça
levantou-se da grama
e se pôs a dançar
ela decidiu que nada podia a machucar
bem mais do que ela poderia lidar
e de repente, de súbito, num movimento mais leve que o ar
uniu as mãos e se pôs a rezar
ergueu os olhos para o céu estrelado das duas da manhã
e com graça, sem trapaça
levantou-se da grama
e se pôs a dançar
terça-feira, 16 de abril de 2019
Fragmentada
Cacos de vida
matéria pungente
da memória viva
morta no presente
Ousei coletar
partes infinitas
do antigo lar
palavras não ditas
Desmancham as telas
unem-se ao vento
apagando as velas
desse desalento
Meu mundo assim
tornou sem cor
pois eras para mim
o alívio da dor
Calei-me em canções
andei nos labirintos
dos tolos corações
esperando, famintos
a junção dos fragmentos
matéria pungente
da memória viva
morta no presente
Ousei coletar
partes infinitas
do antigo lar
palavras não ditas
Desmancham as telas
unem-se ao vento
apagando as velas
desse desalento
Meu mundo assim
tornou sem cor
pois eras para mim
o alívio da dor
Calei-me em canções
andei nos labirintos
dos tolos corações
esperando, famintos
a junção dos fragmentos
domingo, 14 de abril de 2019
Cadafalso
A fortuna me prometeste
Quanto teu peito abri
E nele mergulhei
Não notei, contudo
As finas cordas douradas
Que com ternura
Envolviam-me o pescoço
Quanto teu peito abri
E nele mergulhei
Não notei, contudo
As finas cordas douradas
Que com ternura
Envolviam-me o pescoço
No alto da colina vejo
Sombras azuis de árvores
Crepitando pálidas
Com a brisa lunar
Suas folhas balançam
Fazendo carícias sutis
No vão amor que resta
Deste mundo todo em mim
Ouvindo seus sussurros
Na minha mente vem
Perguntas enviadas pelo céu
Sem respostas mundanas
Meus anseios derradeiros
Pelo chão escorregam
Observo calada a tragédia
Do inexorável desfecho
O manto de lua que cobre
Meus pensamentos assim livres
Não vê senão a superfície
Da melancólica longa trilha
De olhos fechados contemplo
Belezas que não mais vejo
O enigma reverbera ao longe
O que eu fui, eu deixei de ser
Ou o que eu deixei
É o que eu ainda sou?
Sombras azuis de árvores
Crepitando pálidas
Com a brisa lunar
Suas folhas balançam
Fazendo carícias sutis
No vão amor que resta
Deste mundo todo em mim
Ouvindo seus sussurros
Na minha mente vem
Perguntas enviadas pelo céu
Sem respostas mundanas
Meus anseios derradeiros
Pelo chão escorregam
Observo calada a tragédia
Do inexorável desfecho
O manto de lua que cobre
Meus pensamentos assim livres
Não vê senão a superfície
Da melancólica longa trilha
De olhos fechados contemplo
Belezas que não mais vejo
O enigma reverbera ao longe
O que eu fui, eu deixei de ser
Ou o que eu deixei
É o que eu ainda sou?
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