Spoiler. Você que não leu, suma daqui.
Há mais ou menos um ano atrás, eu comecei a ler O Pistoleiro, primeiro livro da série A Torre Negra. Logo nas primeiras 50 páginas, já me apaixonei perdidamente pela história, mesmo não sabendo de nada da grandeza que estava por vir. Ao longo desse ano, fui lendo aos poucos, cada vez mais apaixonada. E então ontem terminei as 4003 páginas de história. Terminei A Torre Negra. Minha reação inicial foi chorar, mas eu não entendi muito bem porque chorei. Talvez por ter acabado, ou por saber que tudo aquilo se repitirá infinitamente, talvez. 4003 páginas de história que se repetem. Claro, pois o ka é uma roda e tudo o que faz é girar.
Vou comentar alguns pontos da história, embora sejam MUITOS, vou falar só dos mais importantes e deixar minha opinião aqui.
A SÉRIE
Indubtavelmente, este é o trabalho mais grandioso de Stephen King. Não só em extensão. Sua grandiosidade engloba todos os aspectos possíveis. Se existe uma única coisa pra ser dita a respeito da série em si, essa coisa é: não dá pra ler uma única vez. É simplesmente fascinante. A história te envolve de tal forma que é difícil você se desvincular de Roland e seu ka-tet, tanto o primeiro, composto de Cuthbert, Alain e Jamie, quanto o segundo, com Eddie, Susannah, Jake e Oi. Esse post vai ser longo, não tão longo quanto a Torre, mas falar de uma coisa tão complexa requer um pouco de extensão também. Vou comentar dos livros e dos personagens. Um pouquinho só, é claro. Como eu disse, é muita coisa para ser dita.
O PISTOLEIRO
O primeiro livro e o mais pequeno, porém parece ser aquele que contém mais história. O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás. Aprendi a ter o mínimo de raiva dessa frase, admito. Este primeiro volume nos dá a introdução ao Mundo Médio e nos faz conhecer aqueles olhos azuis do pistoleiro. Os olhos frios de Roland.
Aqui, o Mundo Médio não é descrito tanto, parece ser uma coisa embaçada até mesmo pra Stephen King, como se nem ele entendesse ainda o que seria o mundo de Roland. Só o que nos dá é um deserto, um pistoleiro, um menino morto e o homem de preto.
Roland perseguindo Walter, encontrando Jake, matando-o (Vá então! Há outros mundos além deste!). E finalmente, a confabulação entre o pistoleiro e o homem de preto. Enigmática. Você clama pra saber o que acontece em seguida.
A ESCOLHA DOS TRÊS
No segundo livro da série, Roland é deixado em uma praia, sozinho, com a necessidade de encontrar três pessoas que o Homem de Preto lhe revelou: O Prisioneiro, A Dama das Sombras e A Morte.
Começada sua busca, ele se deparada com Eddie Dean (O Prisioneiro), um viciado em heroína de Nova York dos anos 80; Odetta Holmes (A Dama das Sombras), uma ativista negra da mesma Nova York de Eddie, porém dos anos 60; e Jack Mort (A Morte), um homem com a mania peculiar de empurrar as pessoas, sendo ele, inclusive, quem empurrou Jake para a sua "primeira morte", digamos assim.
No final, somos surpreendidos pela "conclusão" inesperada que King dá para a dupla personalidade de Odetta Holmes/Detta Walker e para Jack Mort. Como é um livro de "transição" no meio de uma série, começamos a ler sabendo que ele não vai chegar a lugar nenhum, porém é com o mistério da Torre e com o suspense em torno do fato de ficarmos em dúvida se Roland conseguirá atingí-la ou não que torna este livro gostoso de ler.
AS TERRAS DEVASTADAS
Um livro com um desenvolvimento lento, devido às várias explicações necessárias para o desenvolvimento da série. Porém, o rumo que o livro toma é completamente fascinante e não foi nada do que eu esperei que viria.
As coisas começam a ficar mais emocionantes quando Roland e os dois membros do seu ka-tet, Eddie e Susannah (a "junção" de Odetta/Detta) se envolvem num ritual de evocação de um demônio para trazer Jake de volta para o Mundo Médio. E é exatamente essa parte que King remonta no penúltimo e último livros, quando Susannah serve de distração para o demônio. Já vamos chegar lá.
Jake volta e sua amizade com Roland é retomada, o que nos tira aquela impressão de "anti-herói" deixada por ele no primeiro livro.
O ka-tet fica completo com a chegada de Oi, um trapalhão que se torna amigo inseparável de Jake. Os cinco embarcam a bordo do monotrilho Blaine, que estipula condições para o ka-tet sair vivo do trem. O livro termina abruptamente, sem nos deixar pistas se Roland e os outros conseguirão escapar da morte e como conseguirão fazer isso. É até desonesto, admito. Porém é o que mais anima para podermos comprar o próximo livro. Maldito seja King.
MAGO E VIDRO
Particularmente, acredito que este seja o melhor livro da série. King remonta todo o passado de Roland de Gilead com seu antigo ka-tet, Susan Delgado, os Caçadores do Grande Caixão e a guerra entre John Farson e Gilead. Fascinante, completamente fascinante. Ié. Porém, o final deixa a desejar. Após todas as noites de história, o grupo chega no castelo de vidro e o fim chega até a ser bobo. E você sente que King poderia ter explorado muito mais toda a história por trás de Mago e Vidro.
OS LOBOS DE CALLA
Eu vejo esse quinto livro como um extenso "filler" da série. Uma história boa por trás de Calla Bryn Sturgis e os lobos que atacam de tempos em tempos, admito. Porém completamente desnecessária para o desenrolar da história de Roland. Tudo isso somado ao fato de que não se sabe como o ka-tet chegou a essa cidade (o que King explicará no livro The Wind Through the Keyhole, programado para ser lançado neste ano) deixa a leitura pesada, com muita enrolação e muita história desnecessária. Porém, é neste livro que Roland encontra o 13 preto, que leva o ka-tet para Nova York, onde encontram a rosa (uma "encarnação" da Torre naquele mundo) e tentam protegê-la da Companhia Sombra.
O final do livro volta a ser digno de um romance de Stephen King. Muita ação, muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Mia, a filha de ninguém, tomando o corpo de Susannah, que engravidou do demônio de As Terras Devastadas e fugindo para Nova York.
Este é outro "golpe baixo" de King. Após a batalha com os Lobos, que não passavam de robôs, e muito sangue derramado, o final te deixa tão instigado como em nenhum outro livro da série.
A CANÇÃO DE SUSANNAH
Pequeno e completamente diferente de Lobos de Calla. Aqui vemos um autor preocupado unicamente com o desenrolar da história principal, sem delongas e nem conversa fiada. Além de brincar com nossa percepção e sentidos, ele nos guia pela história de maneira rápida, precisa. O próprio King se apresenta como personagem neste livro e, mais do que isso, mostra-se fundamental para a "sobrevivência" da Torre.
Assim como uma canção (Listen to the Ves'-Ka Gan!), o sexto livro tem um ritmo próprio, quase como uma batida. O ka-tet separado mostra como cada personagem tem sua importância, até mesmo Oi, o que evidencia e deixa completamente claro o sentido das palavras "ka" e "tet" juntas. O conceito que King tanto lutou para explicar é definido neste livro, com sintonia entre os personagens, mesmo distantes.
Este livro é um pequeno (literalmente!) preparo para nós, leitores, do que virá no último livro da saga.
A TORRE NEGRA
Finalmente, aqui estamos. 33 anos se passaram após a primeira publicação de O Pistoleiro. E o que esperar do último livro, da conclusão? É de se dar medo, principalmente de algo vindo do King. Tantas coisas aconteceram neste último livro, não vale a pena citá-las. O ka-tet quebrado, a morte de Eddie, Susannah e Jake deixando Roland. Mordred, o filho de Roland, filho do Rei Rubro. Ka-Shume. A morte de Oi.
Tantos acontecimentos, tudo tão rápido. King remonta os laços do ka-tet e os quebra tão rápido quanto os apresentou. Pode apostar meu último dólar que o vazio que fica após a conclusão é algo que não há explicação. Não há. O final é exatamente como imaginamos e esperamos de Stephen King: ou você ama, ou você odeia. A não conclusão, a dúvida... são coisas presentes em praticamente todas as obras dele. É claro que aqui não seria diferente. O ka mexe conosco, faz com que pensemos se temos um ka-tet, um dinh. É quase que uma reflexão sobre nossa vida. Porém, é aqui que nos despedimos. Foi bom compartilhar da água e da comida de Roland, Eddie, Susannah, Jake e Oi e das histórias junto às fogueiras na noite. Encontraremo-nos na clareira no final do caminho. Longos dias e belas noites.
Ka.
No segundo livro da série, Roland é deixado em uma praia, sozinho, com a necessidade de encontrar três pessoas que o Homem de Preto lhe revelou: O Prisioneiro, A Dama das Sombras e A Morte.
Começada sua busca, ele se deparada com Eddie Dean (O Prisioneiro), um viciado em heroína de Nova York dos anos 80; Odetta Holmes (A Dama das Sombras), uma ativista negra da mesma Nova York de Eddie, porém dos anos 60; e Jack Mort (A Morte), um homem com a mania peculiar de empurrar as pessoas, sendo ele, inclusive, quem empurrou Jake para a sua "primeira morte", digamos assim.
No final, somos surpreendidos pela "conclusão" inesperada que King dá para a dupla personalidade de Odetta Holmes/Detta Walker e para Jack Mort. Como é um livro de "transição" no meio de uma série, começamos a ler sabendo que ele não vai chegar a lugar nenhum, porém é com o mistério da Torre e com o suspense em torno do fato de ficarmos em dúvida se Roland conseguirá atingí-la ou não que torna este livro gostoso de ler.
AS TERRAS DEVASTADAS
Um livro com um desenvolvimento lento, devido às várias explicações necessárias para o desenvolvimento da série. Porém, o rumo que o livro toma é completamente fascinante e não foi nada do que eu esperei que viria.
As coisas começam a ficar mais emocionantes quando Roland e os dois membros do seu ka-tet, Eddie e Susannah (a "junção" de Odetta/Detta) se envolvem num ritual de evocação de um demônio para trazer Jake de volta para o Mundo Médio. E é exatamente essa parte que King remonta no penúltimo e último livros, quando Susannah serve de distração para o demônio. Já vamos chegar lá.
Jake volta e sua amizade com Roland é retomada, o que nos tira aquela impressão de "anti-herói" deixada por ele no primeiro livro.
O ka-tet fica completo com a chegada de Oi, um trapalhão que se torna amigo inseparável de Jake. Os cinco embarcam a bordo do monotrilho Blaine, que estipula condições para o ka-tet sair vivo do trem. O livro termina abruptamente, sem nos deixar pistas se Roland e os outros conseguirão escapar da morte e como conseguirão fazer isso. É até desonesto, admito. Porém é o que mais anima para podermos comprar o próximo livro. Maldito seja King.
MAGO E VIDRO
Particularmente, acredito que este seja o melhor livro da série. King remonta todo o passado de Roland de Gilead com seu antigo ka-tet, Susan Delgado, os Caçadores do Grande Caixão e a guerra entre John Farson e Gilead. Fascinante, completamente fascinante. Ié. Porém, o final deixa a desejar. Após todas as noites de história, o grupo chega no castelo de vidro e o fim chega até a ser bobo. E você sente que King poderia ter explorado muito mais toda a história por trás de Mago e Vidro.
OS LOBOS DE CALLA
Eu vejo esse quinto livro como um extenso "filler" da série. Uma história boa por trás de Calla Bryn Sturgis e os lobos que atacam de tempos em tempos, admito. Porém completamente desnecessária para o desenrolar da história de Roland. Tudo isso somado ao fato de que não se sabe como o ka-tet chegou a essa cidade (o que King explicará no livro The Wind Through the Keyhole, programado para ser lançado neste ano) deixa a leitura pesada, com muita enrolação e muita história desnecessária. Porém, é neste livro que Roland encontra o 13 preto, que leva o ka-tet para Nova York, onde encontram a rosa (uma "encarnação" da Torre naquele mundo) e tentam protegê-la da Companhia Sombra.
O final do livro volta a ser digno de um romance de Stephen King. Muita ação, muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Mia, a filha de ninguém, tomando o corpo de Susannah, que engravidou do demônio de As Terras Devastadas e fugindo para Nova York.
Este é outro "golpe baixo" de King. Após a batalha com os Lobos, que não passavam de robôs, e muito sangue derramado, o final te deixa tão instigado como em nenhum outro livro da série.
A CANÇÃO DE SUSANNAH
Pequeno e completamente diferente de Lobos de Calla. Aqui vemos um autor preocupado unicamente com o desenrolar da história principal, sem delongas e nem conversa fiada. Além de brincar com nossa percepção e sentidos, ele nos guia pela história de maneira rápida, precisa. O próprio King se apresenta como personagem neste livro e, mais do que isso, mostra-se fundamental para a "sobrevivência" da Torre.
Assim como uma canção (Listen to the Ves'-Ka Gan!), o sexto livro tem um ritmo próprio, quase como uma batida. O ka-tet separado mostra como cada personagem tem sua importância, até mesmo Oi, o que evidencia e deixa completamente claro o sentido das palavras "ka" e "tet" juntas. O conceito que King tanto lutou para explicar é definido neste livro, com sintonia entre os personagens, mesmo distantes.
Este livro é um pequeno (literalmente!) preparo para nós, leitores, do que virá no último livro da saga.
A TORRE NEGRA
Finalmente, aqui estamos. 33 anos se passaram após a primeira publicação de O Pistoleiro. E o que esperar do último livro, da conclusão? É de se dar medo, principalmente de algo vindo do King. Tantas coisas aconteceram neste último livro, não vale a pena citá-las. O ka-tet quebrado, a morte de Eddie, Susannah e Jake deixando Roland. Mordred, o filho de Roland, filho do Rei Rubro. Ka-Shume. A morte de Oi.
Tantos acontecimentos, tudo tão rápido. King remonta os laços do ka-tet e os quebra tão rápido quanto os apresentou. Pode apostar meu último dólar que o vazio que fica após a conclusão é algo que não há explicação. Não há. O final é exatamente como imaginamos e esperamos de Stephen King: ou você ama, ou você odeia. A não conclusão, a dúvida... são coisas presentes em praticamente todas as obras dele. É claro que aqui não seria diferente. O ka mexe conosco, faz com que pensemos se temos um ka-tet, um dinh. É quase que uma reflexão sobre nossa vida. Porém, é aqui que nos despedimos. Foi bom compartilhar da água e da comida de Roland, Eddie, Susannah, Jake e Oi e das histórias junto às fogueiras na noite. Encontraremo-nos na clareira no final do caminho. Longos dias e belas noites.
Ka.
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